Pular para o conteúdo principal

Metade

Metade, Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Minha decepção com o livro "Orfandades" dinheiro e tempo perdidos!

Antes de escrever esse artigo, pesquisei no Google outros artigos de pessoas decepcionadas com esse livro, e encontrei. Veja o trecho de um que mais se aproximou de minha opinião: Quem espera que este livro lhe traga algum tipo de conforto espiritual após uma grande perda, não deve lê-lo; da mesma forma, quem pensa encontrar aqui soluções espirituais e respostas para as coisas da vida e da morte, acabará se decepcionando. Este livro foi escrito por Fábio de Melo – o homem, não o padre. (Fonte:  https://ana-bailune.blogspot.com.br/2013/06/orfandade-o-destino-das-ausencias-pe.html#comment-form ) No início da minha caminhada cristã, no ano de 2010, padre Fábio de Melo havia me ajudado muito por meio de seu livro "Quem me roubou de mim" e de suas canções. Acompanhava Canção Nova, RCC e eventos na minha paróquia, até começar a me enfadar com o excesso de sentimentalismo. Antes de me enfadar, conheci meu tão esperado livro "Orfandades", acreditava firmemente que enc...

A utilidade das adversidades

Por isso, devia o homem firmar-se de tal modo em Deus, que lhe não fosse mais necessário mendigar consolações às criaturas. Assim que o homem de boa vontade está atribulado ou tentado, ou molestado por maus pensamentos, sente logo melhor a necessidade que tem de Deus, sem o qual não pode fazer bem algum. Então se entristece, geme e chora pelas misérias que padece. Então causa-lhe tédio viver mais tempo, e deseja que venha a morte livrá-lo do corpo e uni-lo a Cristo. Então compreende também que neste mundo não pode haver perfeita segurança nem paz completa. (Tomás de Kempis, Da utilidade das adversidades - Imitação de Cristo)

Pensando a vida e o prêmio da felicidade eterna.

A vida eterna é mais importante.   Quando penso no sermão da montanha (Mateus 5,1-11)   percebo o quanto Deus nos ama, e quão grande é a recompensa eterna que nos aguarda. Sorria por sofrer agora, sorria por estar sofrendo perseguições agora, sorria você está sendo amado infinitamente por Deus. Ele nos olha com amor e misericórdia (Mateus 9,12-13),   e Ele fará justiça a nossas vidas. Quero esquecer de mim, dos meus traumas,   das minhas dores, e até dos meus sonhos. Quero lembrar desse Deus que não me esquece; quero lembrar dos filhos amados do Senhor que choram sem esperança,   que cansaram dos olhares preconceituosos e da falta de caridade. Precisamos rezar mais, oferecer jejuns e penitências por aqueles que não tem quem reze por eles. Valerá a pena, sempre valerá,   pois é a única coisa que podemos fazer por um desconhecido.   Palavras já não são suficientes para convencer alguém,   é preciso palavra de Deus com atitude de quem se dei...