Pular para o conteúdo principal

Ato de abandono



Em vossas mãos, ó meu Deus, eu me entrego.
Virai e revirai esta argila,
sicut lutum in manu figuli (Jeremias 18, 6),
como a vasilha que se modela nas mãos do oleiro.
Dai-lhe forma;
e em seguida despedaçai-a, se assim quiserdes;
ela vos pertence, e nada tem a dizer.
Basta-me que ela sirva a todos os vossos desígnios
e que em nada resista a vosso divino beneplácito,
para o qual eu fui criado.
Pedi, ordenai;
que quereis que eu faça?
que quereis que eu deixe de fazer?
Exaltado ou rebaixado,
perseguido, consolado ou aflito,
utilizado em vossas obras ou sem para nada servir,
a mim não resta senão dizer,
a exemplo de vossa Mãe Santíssima:
“Seja feito segundo a vossa palavra”.

Concedei-me o amor por excelência,
o amor da cruz,
não destas cruzes heroicas
cujo esplendor poderia nutrir o amor próprio,
mas destas cruzes ordinárias
que nós carregamos, ai de nós, com tanta repugnância,
destas cruzes de todos os dias,
com as quais a vida está repleta
e com as quais nos deparamos a todo momento,
no caminho, na contradição, no esquecimento,
no fracasso, nos falsos julgamentos, nas contrariedades,
nas friezas ou no entusiasmo de alguns,
na grosseria ou no desprezo dos outros,
na enfermidade do corpo, nas trevas do espírito,
no silêncio e na secura do coração.
Somente então sabereis que vos amo,
embora, às vezes, nem eu mesmo o saiba nem sinta;
e isto me basta!
(Ato de Abandono. Frei Réginald Marie Garrigou-Lagrange, O.P.)

Postagens mais visitadas deste blog

Minha decepção com o livro "Orfandades" dinheiro e tempo perdidos!

Antes de escrever esse artigo, pesquisei no Google outros artigos de pessoas decepcionadas com esse livro, e encontrei. Veja o trecho de um que mais se aproximou de minha opinião: Quem espera que este livro lhe traga algum tipo de conforto espiritual após uma grande perda, não deve lê-lo; da mesma forma, quem pensa encontrar aqui soluções espirituais e respostas para as coisas da vida e da morte, acabará se decepcionando. Este livro foi escrito por Fábio de Melo – o homem, não o padre. (Fonte:  https://ana-bailune.blogspot.com.br/2013/06/orfandade-o-destino-das-ausencias-pe.html#comment-form ) No início da minha caminhada cristã, no ano de 2010, padre Fábio de Melo havia me ajudado muito por meio de seu livro "Quem me roubou de mim" e de suas canções. Acompanhava Canção Nova, RCC e eventos na minha paróquia, até começar a me enfadar com o excesso de sentimentalismo. Antes de me enfadar, conheci meu tão esperado livro "Orfandades", acreditava firmemente que enc...

A utilidade das adversidades

Por isso, devia o homem firmar-se de tal modo em Deus, que lhe não fosse mais necessário mendigar consolações às criaturas. Assim que o homem de boa vontade está atribulado ou tentado, ou molestado por maus pensamentos, sente logo melhor a necessidade que tem de Deus, sem o qual não pode fazer bem algum. Então se entristece, geme e chora pelas misérias que padece. Então causa-lhe tédio viver mais tempo, e deseja que venha a morte livrá-lo do corpo e uni-lo a Cristo. Então compreende também que neste mundo não pode haver perfeita segurança nem paz completa. (Tomás de Kempis, Da utilidade das adversidades - Imitação de Cristo)

Pensando a vida e o prêmio da felicidade eterna.

A vida eterna é mais importante.   Quando penso no sermão da montanha (Mateus 5,1-11)   percebo o quanto Deus nos ama, e quão grande é a recompensa eterna que nos aguarda. Sorria por sofrer agora, sorria por estar sofrendo perseguições agora, sorria você está sendo amado infinitamente por Deus. Ele nos olha com amor e misericórdia (Mateus 9,12-13),   e Ele fará justiça a nossas vidas. Quero esquecer de mim, dos meus traumas,   das minhas dores, e até dos meus sonhos. Quero lembrar desse Deus que não me esquece; quero lembrar dos filhos amados do Senhor que choram sem esperança,   que cansaram dos olhares preconceituosos e da falta de caridade. Precisamos rezar mais, oferecer jejuns e penitências por aqueles que não tem quem reze por eles. Valerá a pena, sempre valerá,   pois é a única coisa que podemos fazer por um desconhecido.   Palavras já não são suficientes para convencer alguém,   é preciso palavra de Deus com atitude de quem se dei...